Terça-feira, 2 de Novembro de 2004

Depoimento 15: Continuo a lutar com ânimo, mas agora ao vosso lado. Já não estou sozinha

Depoimento enviado por e-mail com solicitação de anonimato:

«Olá,

É bom saber que existem pessoas como tu que estão cá para ajudar os outros, nem que seja só para partilhar as experiências que um mal como a hepatite C acarreta. Isso já é tudo. Obrigada, desde já.

No meu caso particular, como doente crónica, hoje já consigo viver feliz. Descobri que tinha HCV há uns cinco anos. A minha primeira reacção foi chorar para dentro, ler imensamente sobre o assunto, revoltada com a vida, sem dizer nada a ninguém. Nem aos médicos quis ir, para não ter de enfrentar de frente o problema. Calei-me. Imitei a doença e agi, também eu, como sorrateira e silenciosa. Só ao fim de dois anos, sempre a adiar a situação para poder viver melhor (pensava eu), procurei um especialista de gastro. O Dr. Leopoldo Matos, um médico excelente do Egas Moniz. Percebi aí que o cenário não era o pior. Ok, já tinha evoluído para doença crónica, mas o genótipo (3) era o mais tratável e as expectativas para negativar o vírus eram as melhores. Mesmo assim, o meu trabalho obrigava-me, e obriga-me, a um andamento super-sónico e decidi uma vez mais deixar a saúde para segundo plano, sempre sem contar a ninguém (à excepção da mãe e do irmão). Só no início deste ano iniciei o tratamento e resolvi levá-lo até ao fim. Tive sorte, mesmo assim, para quem quis sempre adiar a cura (ainda por cima viável). Ainda não sei se o negativei ou não, mas as transaminases já estão idênticas à de uma pessoa saudável. Durante pouco mais de seis meses, fiz somente a injecção semanal de interferão (não tive tratamento combinado com a ribavirina, porque o médico não achou necessário) e hoje sinto-me bastante optimista em relação aos resultados que hão-de sair a 16 de Novembro. É claro que me fui abaixo durante o tratamento. Esperei ansiosa pelas próximas consultas do Dr. Matos. Emagreci bastante, tive dores várias, depressões, quase tudo o que se previra nos efeitos secundários, mas ao mesmo tempo pensei sempre que era a melhor resposta do meu organismo contra o vírus. Estava a matá-lo lentamente, pensava eu em surdina. Não me enganei. Na última consulta, em Setembro, o médico sorriu e deu-me todas as esperanças para voltar a ser feliz. Disse que tinha respondido muito bem à terapêutica e que escusava de a fazer durante um ano, como ele previra. Pela primeira vez, em cinco anos, voltei a sentir-me nas nuvens. Voltei a acreditar num futuro razoável, com parceiro e até filhos (hipótese que tinha posto imediatamente de lado quando soube do mal que padecia). Aos 30 anos, voltei a viver em pleno. E hoje estou aqui para o partilhar convosco, porque eu melhor que ninguém sabe a angústia por que passam os doentes crónicos. Força, é a palavra de ordem. Quem tem a HCV que lute até ao fim. Há sempre esperança para os que acreditam. E lembrem-se que o optimismo é arma mais importante para a combater, mais do que o interferão e a ribavirina. A 16 de Novembro escrevo-vos a dar as boas notícias, porque acredito. E mesmo que sejam más continuo a lutar com ânimo, mas agora ao vosso lado. Já não estou sozinha»

MEU COMENTÁRIO: Agradeço o depoimento e compartilho do teu optimismo. Tenho a certeza de que todos aqui torcem para que a cura seja sustentada. Não deixe de nos dar notícias e manter contacto. Força !

Val Neto
publicado por ValNeto às 01:07

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