Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

CO-INFECÇÃO HIV/HCV VALE A PENA TRATAR O GENÓTIPO 1 DA HEPATITE C ?

CO-INFECÇÃO HIV/HCV
VALE A PENA TRATAR O GENÓTIPO 1 DA HEPATITE C ?

Estudo realizado pela equipe do Dr. Laguno, em Barcelona, Espanha, publicado na edição de setembro de AIDS (18: F27-F36, 2004) mostra que existe uma boa resposta no tratamento de pacientes co-infectados com o HIV e a hepatite C, quando o genótipo presente é o do tipo 1.

A resposta encontrada neste estudo, que utilizou o interferon peguilado alfa 2-b (Peg-Intron) encontrou que quando e referente ao genótipo 1, a resposta encontrada foi de 38%, superior a obtida no estudo APRICOT, que empregou o interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) com 29% de pacientes que mantiveram a negativação após 24 semanas do final do tratamento.

O estudo APRICOT apresentado mês passado, utilizando o interferon peguilado da marca PEGASYS e Ribavirina, demonstrou 40% dos co-infectados HIV/HCV conseguiram a resposta sustentada (cura) da hepatite C. Os contaminados com o genótipo 1 obtiveram 29% de sucesso e quando a infecção é com os genótipos 2 e 3 a chance de cura chega a
62%.

Em 2002 os pesquisadores da equipe do Dr. Laguna recrutaram 95 pacientes co-infectados com HIV/HCV que foram divididos em dois grupos. Um deles foi tratado com Peg-Intron combinado a ribavirina e outro com o interferon convencional combinado a ribavirina. Portadores dos genótipos 1 ou 4 receberam 48 semanas de terapia e pacientes portadores dos genótipos 2 ou 3 receberam 24 semanas de terapia em ambos os grupos.

68% dos participantes eram homens, 80% possuiam um histórico de uso de drogas injectáveis, com idade media de 40 anos e com uma estimativa media de 17 anos de infecção pelo vírus da hepatite C. 94% dos pacientes se encontravam em tratamento com anti-retrovirais, com um CD4 médio de 570 células/mm3 e carga viral para HIV de 199 copias/ml.

O objectivo primário da pesquisa era o de determinar a resposta sustentada, isto é quantos conseguiam permanecer negativados após 24 semanas do final do tratamento. Um segundo objectivo foi determinar quantos indivíduos se encontravam negativos ao final do tratamento (independente de não conseguirem a resposta sustentada) tendo conseguido manter uma resposta bioquímica continua durante o tratamento, isto é, mantendo as transaminases (ALT/TGP) em valores normais.

A resposta sustentada total obtida (negativados) após 24 semanas do final do tratamento foi de 34% dos pacientes que iniciaram a pesquisa se considerando os dois interferons, sendo que chegou a 44% nos tratados com interferon peguilado e ficou em 21% nos pacientes tratados com o interferon convencional.

Nos pacientes com genótipo 1 ou 4 a diferença entre os dois interferons foi muito importante. Nestes genótipos se obteve uma resposta de 38% no grupo tratado com o interferon peguilado contra 7% de resposta no grupo dos pacientes tratados com o interferon convencional.

Já no caso dos pacientes infectados com os genótipos 2 ou 3 não foi observada uma diferença significativa. Nestes genótipos os pacientes tratados com o interferon peguilado obtiveram 53 de resposta contra 47% dos tratados com o interferon convencional.

Foi verificado que indivíduos com baixa carga viral, neste caso menos de 80.000 UI/ml., tinham 49% de chances de conseguir a resposta sustentada, contra 22% naqueles que se encontravam com cargas virais acima deste valor.

A resposta bioquímica continua foi encontrada ao final do tratamento em 45% dos pacientes e, embora isto fosse encontrado em um índice um pouco maior nos pacientes tratados com o interferon peguilado não teve incidência significativa na resposta sustentada.

31% dos pacientes tratados com o interferon peguilado desenvolveram anemia, contra 23% dos que usaram o interferon convencional. A depressão atingiu 37% dos pacientes tratados com o peguilado contra 51 dos que receberam o convencional. Nove pacientes tratados com o peguilado abandonaram o estudo e seis dos tratados com o interferon convencional.

O tratamento da hepatite C não afectou adversamente o HIV, porém, foi observada uma diminuição da contagem de CD$, de 560 para 330 células/mm3. 19 dos pacientes tiveram uma redução de CD$ abaixo de 200 células/mm3 mas nenhum deles desenvolveu infecções oportunistas. A carga viral de HIV não apresentou mudanças significativas durante o estudo.

Os autores do estudo Espanhol explicam que provavelmente a maior taxa de resposta encontrada com o Peg-Intron, possa estar no facto de se tratar de um interferon que consegue ajustar a dosagem ao peso do paciente, conseguindo-se assim um menor índice de descontinuidade do tratamento e, também, pelo facto deste ser um estudo feito num centro de referência com os pacientes sendo atendidos por uma equipe multidisciplinar de médicos, o que poderia ter ocasionado uma maior adesão ao tratamento.

Recomendam os autores o acompanhamento psiquiátrico dos pacientes, principalmente nas primeiras semanas do tratamento, para tratar os casos de depressão assim que detectados. Para pacientes em tratamento anti-retroviral em uso de análogos de nuclesoides ddI ou d4T não é recomendada a administração da ribavirina.

Referência:
Laguno M et al. Peginterferon alfa-2b plus ribavirin compared with interferon alfa-2b plus ribavirin for treatment of HIV/HCV coinfected patients. AIDS 18: F27-F36, 2004.



MEU COMENTÁRIO ( Carlos Varaldo - Grupo Otimismo - www.hepato.com ):

A maior importância deste estudo, independentemente de tentar comparar os interferons como aparenta ser a redacção do estudo, é, que realmente, existe a real possibilidade de tratar os pacientes co-infectados com HIV/HCV.

O segundo ponto que chama a atenção e que fica demonstrado que em cargas virais muito baixas, abaixo de 80.000 UI/ML a resposta ao tratamento aumenta consideravelmente, e, como a médio prazo teremos disponíveis os inibidores de proteases, como o BILN-2061, que conseguem reduzir a carga viral praticamente a ZERO em 48 horas, mostra, com
certa segurança, que uma vez eles disponíveis o tratamento com interferon e ribavirina irá apresentar uma resposta acima de 80% no genótipo 1 de quase 100% nos genótipos 2 ou 3, pois teremos a oportunidade de poder iniciar todos os tratamentos com carga viral baixa.


publicado por ValNeto às 00:49

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1 comentário:
De fotobric a 19 de Agosto de 2006 às 14:13
tenho hepatite c estou 6 meses na fila do medicamento. meu plano de saude(cassis) ja negou 2 vezes o pedido do medicamento, apesar de ter feito todo o tratamento preliminar(exames, biopsia,etc) como devo proceder para iniciar meu tratamento.

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