Quarta-feira, 4 de Agosto de 2004

Reprodução medicamente assistida (RMA) - Esclarecimento

Recebi um e-mail de um profissional ligado à area da RMA com este esclarecimento que considero muito importante e ao qual agradeço imensamente :

«Primeiro que tudo, quero dar-lhe os parabéns pela ideia do blogue. Faltam coisas destas em Portugal.

Sou médico e profissionalmente ligado a esta área das doenças infecciosas e, particularmente, à reprodução medicamente assistida (RMA) em casais sero-discordantes. Li com interesse este post e outros e queria ajudar a esclarecer alguns pontos.

1. Das 3 infecções de que se fala aqui (HIV-SIDA, hepatite B e hepatite C), a transmissão sexual ocorre nas 2 primeiras; para haver transmissão sexual da hepatite C parece necessário haver uma série de condições raramente verificáveis excepto quando o doente for igualmente positivo para o HIV-SIDA. Daí que as preocupações se centrem essencialmente nas 2 primeiras.

2. A RMA é essencialmente utilizada no caso da infecção por HIV, porque há dados (essencialmente empíricos) com mais de 10 anos que mostram que a "lavagem" do esperma (isto é o isolamento dos espermatozóides de todo o resto do esperma) permite eliminar o risco de transmissão do vírus. O mesmo não acontece em relação à hepatite B - embora não haja provas definitivas, alguns estudos chineses sugerem que o vírus da hepatite B pode transmitir-se ao feto através do próprio espermatozóide - o que não acontece com o HIV. Daí que a RMA esteja em aplicação para os casos de HIV e haja muitas dúvidas relativamente aos casos de hepatite B.

3. Está em discussão um projecto de lei sobre a RMA para o qual a Comissão Nacional de Ética recomenda (com base, e isto é a minha opinião pessoal, em argumentos mais do que discutíveis) que esta não seja utilizada nos casais sero-discordantes - nada está ainda, contudo, decidido, e continua-se a executar a RMA nestes casos no âmbito do SNS. Há é o habitual problema de meios, com a utilização de métodos de inseminação pouco eficazes porque os mais eficazes exigem investimentos vultuosos (e estou a falar dos métodos de inseminação - não dos de lavagem do esperma - esses são os correctos e eficazes).

4. Quando falamos de casais sero-discordantes falamos sempre de homem positivo e mulher negativa - porque, na mulher positiva, o risco não é de infecção do parceiro sexual e sim do feto, por via vertical - e aí o problema é outro.»

Dr. Luis Rodrigues
publicado por ValNeto às 11:00

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3 comentários:
De Anónimo a 5 de Agosto de 2004 às 23:37
O mais grave é que a maioria dos médicos insiste em afirmar que as vias de transmissão da hepatite C são idênticas à do VHI e da Hepatite B.
Mais uma pequena achega: o virus da C parece não atravessar a barreira placentária, evitando assim a contaminação vertical mãe-filho.EL
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(mailto:)
De Anónimo a 5 de Agosto de 2004 às 15:11
Exclente esclarecimento! o saber não ocupa lugar! http://urbano.blogs.sapo.pt/jhfd
(http://urbano.blogs.sapo.pt/)
(mailto:jhfd@sapo.pt)
De Anónimo a 4 de Agosto de 2004 às 13:34
por favor, visite http://britneyspears.blogs.sapo.pt participa nos passatempos todas as semanas e nao te eskeças de deixar comentariodouradoi
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(mailto:dourado@hpotmail.com)

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