Terça-feira, 3 de Agosto de 2004

Reprodução medicamente assistida

Outra questão bastante pertinente que me foi colocada :

«Obrigado pelas respostas. Com "reprodução medicamente assistida" queria referir-me ao uso da inseminação artificial para casais em que um está infectado e, face à probabilidade não nula de contágio do parceiro, optarem por passar a ter relações sexuais com preservativo. (Desculpe, esta questão das doenças sexualmente transmissíveis é sempre um pouco sensível.) Há algumas semanas soube-se que os infectados com HIV não tinham esse direito, pelo menos no SNS, mas a SIDA é uma doença com piores perspectivas de cura, mesmo em termos de longevidade e, se bem entendi, o número de infectados com Hepatite C, mesmo sem ter havido comportamentos de risco por parte dos próprios, pode ser bastante elevado Referia-me, mais especificamente, aos "bebés-proveta"»

A minha resposta:

Sinceramente não tenho informação consistente sobre esta matéria ( reprodução medicamente assistida ). Vou procurar me informar melhor sobre o assunto.

No que diz respeito às relações sexuais e ao risco de contágio vou tecer alguns comentários e me arrisco mesmo a deixar alguns conselhos:

1º - Honestidade para consigo mesmo e para com o parceiro. É uma decisão que tem que ser tomada a dois. No meu caso, fomos eu e a minha parceira a uma consulta com a minha médica e para além disso procuramos pesquisar toda a informação disponível.

2º - Chegamos à conclusão ( eu, a parceira e a médica ) de que não havia necessidade da utilização do preservativo pois tínhamos ambos hábitos sexuais monogâmicos e não praticamos o chamado sexo violento ou mesmo o sexo anal. Passámos a ter cuidados especiais com o período menstrual dela, com as chamadas gengivites, partilha de escovas de dente, tesouras de unha, aparelhos de barbear e tudo o mais que pudesse envolver o contágio pelo sangue.Obviamente fizemos o despiste ( ela e eu ) de todas as doenças sexualmente transmissíveis, antes de dispensarmos a utilização do preservativo. Esta é pois uma decisão que cabe ao casal.

3º - O assunto é realmente delicado. Muitos parceiros ( seja por má-informação, preconceito, etc...) têm dificuldade em compreender o facto de que o outro esteja contaminado com uma doença que é associada ( indevidamente ) a comportamentos de risco. Conheço casos de portadores que escondem o facto de serem portadores com receio de não serem devidamente compreendidos. Há muitos casos em que a relação vai simplesmente por água a baixo. O próprio tratamento convencional ( interferão peguillado + ribavirina ) muitas vezes dificulta muito as relações, sejam elas íntimas, sociais ou profissionais. Muitos portadores em tratamento desfazem o casamento, perdem o emprego, sofrem de isolamento social. Pretendo desenvolver melhor esta questão, que considero de suma importancia, aqui no Blog.
publicado por ValNeto às 11:39

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4 comentários:
De Anónimo a 4 de Agosto de 2004 às 00:37
Primeiro que tudo, quero dar-lhe os parabéns pela ideia do blogue. Faltam coisas destas em Portugal.
Sou médico e profissionalmente ligado a esta área das doenças infecciosas e, particularmente, à reprodução medicamente assistida (RMA) em casais sero-discordantes.
Li com interesse este post e outros e queria ajudar a esclarecer alguns pontos.
1. Das 3 infecções de que se fala aqui (HIV-SIDA, hepatite B e hepatite C), a transmissão sexual ocorre nas 2 primeiras; para haver transmissão sexual da hepatite C parece necessário haver uma série de condições raramente verificáveis excepto quando o doente for igualmente positivo para o HIV-SIDA. Daí que as preocupações se centrem essencialmente nas 2 primeiras.
2. A RMA é essencialmente utilizada no caso da infecção por HIV, porque há dados (essencialmente empíricos) com mais de 10 anos que mostram que a "lavagem" do esperma (isto é o isolamento dos espermatozóides de todo o resto do esperma) permite eliminar o risco de transmissão do vírus. O mesmo não acontece em relação à hepatite B - embora não haja provas definitivas, alguns estudos chineses sugerem que o vírus da hepatite B pode transmitir-se ao feto através do próprio espermatozóide - o que não acontece com o HIV. Daí que a RMA esteja em aplicação para os casos de HIV e haja muitas dúvidas relativamente aos casos de hepatite B.
3. Está em discussão um projecto de lei sobre a RMA para o qual a Comissão Nacional de Ética recomenda (com base, e isto é a minha opinião pessoal, em argumentos mais do que discutíveis) que esta não seja utilizada nos casais sero-discordantes - nada está ainda, contudo, decidido, e continua-se a executar a RMA nestes casos no âmbito do SNS. Há é o habitual problema de meios, com a utilização de métodos de inseminação pouco eficazes porque os mais eficazes exigem investimentos vultuosos (e estou a falar dos métodos de inseminação - não dos de lavagem do esperma - esses são os correctos e eficazes).
4. Quando falamos de casais sero-discordantes falamos sempre de homem positivo e mulher negativa - porque, na mulher positiva, o risco não é de infecção do parceiro sexual e sim do feto, por via vertical - e aí o problema é outro.
Luis Rodrigues
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(mailto:luis.rodrigues@icil.pt)
De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 14:57
Agradeci com certeza, mas ele ( de certo por uma questão de modéstia ) não publicou o agradecimento. Mas, creia que me deu um novo alento para continuar nessa luta.

ObrigadoVal Neto
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(mailto:valneto@netcabo.pt)
De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 13:09
Força com o blogue. Espero que já tenhas agradecido ao JPP... http://urbano.blogs.sapo.pt/jhfd
(http://urbano.blogs.sapo.pt/)
(mailto:jhfd@sapo.pt)
De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 11:43
parabens pelo teu blog fala de assuntos k nem todos kerem falar visita-me emhttp://eldana.blogs.sapo.pt/guida
(http://amrrm.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aninhas_24_@hotmail.com)

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