Segunda-feira, 2 de Agosto de 2004

Evolução da Hepatite C e transplantes do Fígado

«Gostava de saber que percentagem das infecções evolui para cirrose e tumor do fígado, e se é simples fazer um transplante de fígado (disponibilidade dos transplantes e questões de compatibilidade)» Esta é mais uma questão suscitada pela mensagem colocada no ABRUPTO. Eis a minha resposta: Cerca de 25% dos infectados não desenvolvem nenhum tipo de doença e a eliminam de forma natural. No restante, o vírus vai provocar uma inflamação no fígado que depois evoluirá para uma fibrose, depois para uma cirrose e finalmente para um cancro no fígado. A complexidade da doença entretanto é que cada ser humano reage de forma diferenciada. Não há portanto prazos para essa "evolução". Pode demorar até 30 anos, segundo se sabe. Por este e outros motivos é que recomendo sempre a consulta a médicos especialistas ( hepatologistas ou gastroenterologistas ) de preferência com grande experiência no tratamento de outros pacientes. Com relação a transplantes, não é fácil pois há filas de espera de pacientes a aguardar orgãos. Posso informar entretanto que a maioria dos pacientes em espera é composta por portadores da hepatite C. O transplante entretanto é um último recurso, pois já existe tratamento e possibilidade de cura para a hepatite C. Ps: Faltou um comentário à questão do transplante. O transplante não representa a cura, pois o vírus está no sangue e não apenas no fígado. O transplante só é recomendado quando o paciente descobre a doença já em fase adiantada e o fígado já apresenta danos irreversíveis ( por esse motivo o paciente não pode recorrer ao tratamento convencional ). O novo fígado prolongará a vida do paciente e possibilitará eventualmente que ele se submeta ao tratamento, podendo então chegar à cura. Quero sempre realçar entretanto a importância dos portadores ou daqueles que suspeitam serem portadores, de recorrerem a médicos especializados ( hepatologistas e/ou gastroenterogistas, de preferência com experiência no tratamento de outros pacientes ). Cada caso é um caso e o tratamento depende da situação de cada pessoa.
publicado por ValNeto às 19:49

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3 comentários:
De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 10:44
Agradeço as correcções. Sou leigo, bem intencionado, mas posso cometer alguns enganos. Por isso faço questão de realçar a necessidade de consulta a especialistas.
Quanto à divulgação do Blog, TODA e QUALQUER ajuda é muito bem-vinda ! Obrigado !

Val Neto
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(mailto:valneto@netcabo.pt)
De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 01:30
Parabéns pela iniciativa e pela qualidade do que vai escrevendo.
Já agora, sobre a "Reprodução Medicamente Assistida", falada num comentário a um post de 30.julho, sugiro a leitura do Relatório que esteve na origem do Parecer 44/CNECV/2004 do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (tem link no meu blog). Colocarei também um link deste sítio no meu (embora não lhe vá trazer grande divulgação :-) ).
Desejo o maior sucesso.marvi
(http://infirmus.blogspot.com)
(mailto:)
De Anónimo a 2 de Agosto de 2004 às 22:49
Caro Almeida Neto,

Parabéns pelo blog.
Apenas uma pequena correcção. Nos EUA a maioria dos candidatos a transplante hepático é, de facto, constituida por doentes com problemas originados pela Hepatite C. No entanto, em Portugal o número de doentes com Paramiloidose Familiar (a popular doença dos pézinhos) representa mais de metade das listas de espera de fígados.Paulo Santos
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(mailto:paulo@ci.uc.pt)

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