Quinta-feira, 18 de Novembro de 2004

Depoimento 19: tendo eu os transaminazes controlados será mesmo necessário fazer a tal biópsia ou não?

«Sou um portador de hepatite c, que apanhou o vírus por partilha de seringas dado que sou um ex- toxicodependente.
Tenho uma dúvida em relação à minha doença que gostaria de tirar, visto que ainda não estou muito informado. Nas últimas análises que tirei os meus transaminazes estavam com valores normais e o meu médico de família disse-me para não me preocupar porque a doença estava estacionária, e enquanto os valores das transaminazes não aumentassem não existia caso para preocupação. Nunca me mandou fazer uma biópsia por não haver necessidade disso coisa que acho bastante estranha, mas como os meus conhecimentos são reduzidos deixei-me estar.
Agora com tudo o que tenho lida acerca da doença estou um pouco assustado e estou seriamente pensando fazer uma biópsia.
«A minha dúvida é a seguinte: tendo eu os transaminazes controlados será mesmo necessário fazer a tal biópsia ou não?
Agradecia que me pudesse informar acerca disso.
Antes que me esqueça queria agradecer-lhes por de alguma forma existirem pessoas com iniciativas como a vossa.
É sempre de grande utilidade a informação que vocês prestam por isso nunca desistam de partilhar as vossa experiências com o próximo, o meu muito obrigado.»

MEU COMENTÁRIO: (Sempre com a ressalva de que sou um leigo que há cerca de 4 anos se debruça sobre o assunto para melhor poder combater o vírus do qual sou ainda, até prova concreta e definitiva em contrário, portador).

Pelo que li até hoje, as transaminases não são um indicador seguro para se avaliar os possíveis danos causados pelo vírus ao fígado. O indicador mais seguro de danos hepáticos e da sua extensão é a biópsia.
Tenho entretanto recebido alguns depoimentos de pessoas que, embora tenham identificada a presença do vírus, são tranquilizadas pelos médicos de família devido à ausência de sintomas ( nomeadamente transaminases elevadas ) e enviadas para casa para novas análises mais à frente. Sem que lhes seja feita ao menos a análise da carga vírica e a identificação do genotipo, o que considero pouco cuidadoso. Penso que todo o portador do vírus deveria ter o direito de ser submetido a uma biópsia e que a decisão de ser tratado ou não deveria caber ao doente, devidamente esclarecido e apoiado por seu médico de família, por um especialista ( hepatologista / gastroenterologista ) e por um psicólogo, mediante o resultado da análise de carga vírica, genotipo e da própria biópsia, para além de outras.

Na prática, para quem depende do serviço público, vai ser necessário percorrer um longo e sinuoso labirinto burocrático que urge minimizar. Por essas e outras é importante a união dos doentes à volta da questão. Para que possam ter uma voz activa e forte junto da opinião pública e dos orgãos decisores a todos os níveis, pois a Hepatite C, para além de um caso sério de saúde pública é uma doença que pode ser grave e mesmo mortal (principalmente para quem não sabe ser portador do vírus) e carrega ainda consigo também uma grande "desinformação" ( mesmo na classe médica, repito ) e alguns preconceitos que podem afectar a todos os níveis a vida de um cidadão.

Há um pequeno/grande problema por trás de tudo isso : o aspecto económico da questão: Enquanto o custo ( altíssimo ) do tratamento, pode ser mensurado em cifras ( o livro 120 perguntas sobre a Hepatite C apresenta alguns números interessantes sobre o tema em seu tópico 103, página 133 ) , a simples ausência dele (rastreio, detecção e tratamento) não pode ser mensurada pelo simples facto de que desconhecemos a verdadeira extensão do problema. A projecção dos benefícios de se tratar atempadamente os portadores só pode ser feita e comprovada a médio e longo prazo, enquanto o "custo" de rastrear, detectar, avaliar e tratar aparece no curto prazo. Daí, talvez, a opção dos nossos dirigentes de apenas enfiar a cabeça no buraco, feito aveztruzes. Apostam normalmente no curto prazo e empurram o problema para a frente.

E nesse momento em que as contas do Estado estão sendo cada vez mais "apertadas", talvez seja conveniente dizer aos portadores: "Deixa estar que isso pode ser quase nada... na próxima legislação a gente dá uma vista ´d'olhos..."

Por isso digo aos portadores: Abram os olhos ! Joguem sempre pelo seguro.
publicado por ValNeto às 14:15

link do post | favorito
De Anónimo a 18 de Novembro de 2004 às 18:02
Boa noite, tal como Val Neto já disse e na minha opinião tem de fazer as análises de geneotipagem e se necessitar a biopsia, aquilo que penso em relação ás suas dúvidas e outras tantas que existem nas muitas pessoas infectadas é a necessidade urgente de um grupo de apoio a tempo inteiro para poder abrandar o sofrimento de todos, não sei se entenderam a mensagem?! contem comigo, Abraço carlao carlao
</a>
(mailto:)
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres